Organizations Leadership set 8, 2015

Con­tratar uma estrela ou dis­pen­sar um tra­bal­hador inescrupuloso?

Fun­cionários prob­lemáti­cos rep­re­sen­tam um peso maior à sua empre­sa do que se imagina.

Yevgenia Nayberg

Based on the research of

Michael Housman

Dylan Minor

As empre­sas sabem que é pos­sív­el atrair e reter os mel­hores tal­en­tos ofer­e­cen­do bônus gen­erosos, salas exclu­si­vas ou opções de ações. Mas o que faz­er com os tra­bal­hadores no out­ro extremo do espec­tro que são um peso para o desem­pen­ho da empre­sa? Quan­ta atenção as empre­sas devem dedicar a estes fun­cionários problemáticos?

Mui­ta, de acor­do com uma nova pesquisa real­iza­da por Dylan Minor da Kel­logg School.

Minor e seu coau­tor obser­vam tra­bal­hadores ine­scrupu­losos”, aque­les que se envolvem em com­por­ta­men­tos ile­gais ou antiéti­cos que podem prej­u­dicar orga­ni­za­ções. Segun­do os pesquisadores, os tra­bal­hadores ine­scrupu­losos real­izam tra­bal­hos de qual­i­dade infe­ri­or, espal­ham com­por­ta­men­to antiéti­co para out­ros fun­cionários e dimin­uem a sat­is­fação dos clientes.

Na ver­dade, o cus­to asso­ci­a­do à con­tratação de tra­bal­hadores ine­scrupu­losos é maior do que o bene­fí­cio de se empre­gar um tra­bal­hador com óti­mo desem­pen­ho. Em out­ras palavras, em ter­mos finan­ceiros, pode ser mel­hor para as orga­ni­za­ções inve­stirem recur­sos para lidar com seus tra­bal­hadores ine­scrupu­losos do que con­cen­trar suas ener­gias nas estrelas.

A pesquisa tam­bém iden­ti­fi­ca pred­i­tores de com­por­ta­men­tos sem escrúpu­lo e propõe estraté­gias que as empre­sas podem usar para que não fiquem sobre­car­regadas com ess­es fun­cionários problemáticos.

Um prob­le­ma comum, porém pouco estudado

Minor, pro­fes­sor assis­tente de econo­mia de gestão e ciên­cias da decisão, há tem­pos tem inter­esse nos fatores que influ­en­ci­am no pro­je­to de orga­ni­za­ções efi­cazes. Ele e o coau­tor Michael Hous­man, exec­u­ti­vo atu­ante na empre­sa de soft­ware de gestão de tal­en­tos Cor­ner­stone OnDe­mand, decidi­ram inves­ti­gar as ram­i­fi­cações dos tra­bal­hadores ine­scrupu­losos, um tema de pesquisa que até então havia sido pouco estudado.

Já se escreveu muito sobre profis­sion­ais de alto desem­pen­ho, os super­stars”, diz Minor, mas pre­cisamos enten­der o out­ro lado do espectro”.

Os pesquisadores usaram um con­jun­to de dados da Cor­ner­stone, uma empre­sa de con­sul­to­ria que pres­ta testes às empre­sas para a avali­ação de can­didatos a emprego e os fun­cionários. Os dados incluíram o modo como os fun­cionários autoavaliaram suas habil­i­dades, o quan­to suas habil­i­dades eram boas quan­do tes­tadas, bem como seu desem­pen­ho na con­tratação con­trata­dos e os motivos pelos quais foram demi­ti­dos. Os dados abran­giam mais de 58.000 tra­bal­hadores horis­tas em 11 empre­sas bem con­heci­das durante vários anos.

A riqueza de dados nos per­mi­tiu acom­pan­har os tra­bal­hadores ao lon­go do tem­po e obser­var os pred­i­tores e as con­se­quên­cias da fal­ta de escrúpu­los”, diz Minor.

Quão comum seria o com­por­ta­men­to ine­scrupu­loso, o qual os pesquisadores defini­ram como uma vio­lação fla­grante da políti­ca da empre­sa”, que resul­tou em demis­são invol­un­tária? Na amostra dos pesquisadores, um deter­mi­na­do fun­cionário tin­ha cer­ca de 5% de chance de se envolver em com­por­ta­men­to ine­scrupu­loso, como assé­dio sex­u­al ou fraude, durante o perío­do observado.

O cus­to ele­va­do dos tra­bal­hadores inescrupulosos

Os tra­bal­hadores ine­scrupu­losos podem traz­er graves con­se­quên­cias para as empre­sas, muitas vezes pare­cen­do óti­mos tra­bal­hadores, mas na ver­dade minan­do a rep­utação da empresa.

A pesquisa con­sta­ta que fun­cionários ine­scrupu­losos con­cluíam seu tra­bal­ho mais rap­i­da­mente do que out­ros fun­cionários. Isso pode explicar por que uma empre­sa de inves­ti­men­tos, por exem­p­lo, pode não notar que um trad­er des­on­esto aparente­mente bem-suce­di­do tem, na ver­dade, com­por­ta­men­to ques­tionáv­el. Mas, em últi­ma análise, os tra­bal­hadores ine­scrupu­losos ten­dem a entre­gar um tra­bal­ho de qual­i­dade infe­ri­or, con­forme medi­do pela sat­is­fação do cliente.

No cur­to pra­zo, parece que eles estão desem­pen­han­do bem”, diz Minor, mas a má qual­i­dade do seu tra­bal­ho pode prej­u­dicar a rep­utação da empresa”.

Além dis­so, uma maior den­si­dade de fun­cionários antiéti­cos em um grupo de tra­bal­ho especí­fi­co aumen­ta a prob­a­bil­i­dade de os out­ros mem­bros do grupo apre­sentarem com­por­ta­men­to antiéti­co. Na ver­dade, quan­do uma pes­soa fazia parte de um grupo de tra­bal­ho com uma alta den­si­dade de fun­cionários ine­scrupu­losos, Minor notou um aumen­to de 47% na prob­a­bil­i­dade de a pes­soa se tornar inescrupulosa.

É uma for­ma prej­u­di­cial de con­t­a­m­i­nação éti­ca’ ”, diz Minor. Dá para se pen­sar no com­por­ta­men­to como uma espé­cie de vírus, fazen­do com que o tra­bal­hador ine­scrupu­loso” gere tendências”.

Qual o cus­to dos tra­bal­hadores ine­scrupu­losos? Para quan­tificar o pre­juí­zo que causam, os pesquisadores com­para­ram o val­or da con­tratação, com base em dados de desem­pen­ho, de um super fun­cionário com a sim­ples ação de elim­i­nar um fun­cionário inescrupuloso.

Os resul­ta­dos foram sur­preen­dentes. Um super­star que está entre os 1% mel­hores, que é um profis­sion­al de alto desem­pen­ho muito raro, traz US$5.300 em val­or adi­cional fazen­do mais tra­bal­ho do que um fun­cionário médio. A sub­sti­tu­ição de um tra­bal­hador ine­scrupu­loso por out­ro medi­ano cria um val­or esti­ma­do em US$12.800 em econo­mias de cus­to no mes­mo perío­do, reduzin­do o cus­to da rota­tivi­dade ref­er­ente ao tra­bal­hador ine­scrupu­loso. Da mes­ma for­ma, a sub­sti­tu­ição de um tra­bal­hador ine­scrupu­loso ren­deu quase qua­tro vezes o val­or da con­tratação de um profis­sion­al com desem­pen­ho entre os 10% melhores.

Isto sequer leva em con­ta os efeitos de con­t­a­m­i­nação dos out­ros fun­cionários, despe­sas do cun­ho jurídi­co e de rep­utação dos tra­bal­hadores ine­scrupu­losos”, diz Minor. Sendo assim, acred­i­to que seja uma esti­ma­ti­va conservadora”.

Pred­i­tores de fal­ta de escrúpulos

O tra­bal­ho dos pesquisadores desco­briu vários pred­i­tores de com­por­ta­men­to inescrupuloso.

Um tem a ver com a auto­con­fi­ança. Os fun­cionários da amostra autoavaliaram suas habil­i­dades téc­ni­cas em diver­sas áreas. Em segui­da, suas avali­ações foram com­para­das com as medi­das sub­se­quentes de suas capaci­dades reais, pro­duzin­do uma medi­da acima/​abaixo da con­fi­ança. O exces­so de con­fi­ança foi um forte pred­i­tor de com­por­ta­men­to inescrupuloso.

De uma per­spec­ti­va econômi­ca, o exces­so de con­fi­ança muitas vezes sig­nifi­ca ado­tar uma esti­ma erra­da em sua prob­a­bil­i­dade”, diz Minor, inclu­sive subes­ti­man­do a prob­a­bil­i­dade de se ser fla­gra­do fazen­do algo antiéti­co”. Tra­bal­hadores relataram con­fi­ança exces­si­va sobre suas habil­i­dades em planil­has, por exem­p­lo, podem tam­bém ter super­es­ti­ma­do sua capaci­dade de ocul­tar atra­sos ou tra­pacear em cartões de ponto.

Várias per­gun­tas do ques­tionário de triagem de emprego avaliaram o quan­to os can­didatos eram empáti­cos”, ou seja, o quan­to estavam dis­pos­tos a lidar com as pre­ocu­pações de out­ras pes­soas. Não sur­preen­deu que, quan­to maior a empa­tia dos can­didatos, menor a prob­a­bil­i­dade de serem inescrupulosos.

Out­ro indi­cador foi ain­da mais sur­preen­dente: os fun­cionários que con­cor­daram com declar­ações da triagem, como Acred­i­to que as regras são feitas para serem obe­de­ci­das”, eram mais propen­sos a se envolver em ações ine­scrupu­losas. Podemos pen­sar nis­so como um teste de hon­esti­dade inteligente”, diz Minor. A maio­r­ia das pes­soas entende que há momen­tos em que talvez não faça sen­ti­do seguir as regras”. Assim, as pes­soas que endos­saram rigi­da­mente o respeito às regras, talvez ironi­ca­mente, eram mais propen­sas a infringi-las.

Final­mente, o enquadra­men­to incor­re­to da função, quan­do os fun­cionários estavam em car­gos que não com­ple­men­tavam cor­re­ta­mente seus tal­en­tos, foi out­ro pred­i­tor de com­por­ta­men­to inescrupuloso.

Como o gestor deve agir?

Como as empre­sas se livram dos tra­bal­hadores inescrupulosos?

Hoje em dia, evi­tar tem sido a prin­ci­pal fer­ra­men­ta. A maio­r­ia das empre­sas ten­ta excluir ess­es can­didatos na fase de con­tratação. Minor defende uma inter­venção mais estratég­i­ca. A fal­ta de escrúpu­los provavel­mente emerge de uma com­bi­nação de natureza e cri­ação”, diz ele. Assim, emb­o­ra pos­sa haver uma pre­dis­posição a ess­es com­por­ta­men­tos, é pre­ciso fornecer o tipo cer­to de edu­cação para impe­di-los, da mes­ma for­ma de que colo­car todos os crim­i­nosos na prisão cer­ta­mente reduz a crim­i­nal­i­dade, mas a recu­per­ação pode ser uma abor­dagem mel­hor para alguns deles”.

Minor está tra­bal­han­do em pesquisa de acom­pan­hamen­to que obser­va dados mais detal­ha­dos de uma das empre­sas que fazi­am parte do grande con­jun­to de dados. Ele está inter­es­sa­do em obser­var as pes­soas que são ine­scrupu­losas em relação às out­ras ao seu redor, mas cujo com­por­ta­men­to não seja tão extremo ao pon­to de ser ile­gal. Qual o impacto cau­sa­do por essas pes­soas nos seus cole­gas de tra­bal­ho e na empresa?

Tam­bém está inter­es­sa­do na dis­tribuição físi­ca de espaço de tra­bal­ho no que se ref­ere a tra­bal­hadores ine­scrupu­losos, e leva isso em con­ta em sua nova pesquisa.

Os tra­bal­hadores ine­scrupu­losos ten­dem a espal­har seu efeito em um andar inteiro de tra­bal­hadores, em con­trapon­to aos tra­bal­hadores alta­mente pro­du­tivos que ten­dem a causar impacto pos­i­ti­vo somente a uma cur­ta dis­tân­cia das pes­soas com quem tra­bal­ham”, diz ele. Você deve colocá-lo no can­to de uma área de tra­bal­ho, no meio? Você deve colocá-los ao lado de um super­vi­sor? Onde deve ficar posi­ciona­do o tra­bal­hador de alto desem­pen­ho? Qual é a maneira ide­al de con­fig­u­rar isso para max­i­mizar o val­or de uma estrela do desem­pen­ho e reduzir a con­t­a­m­i­nação de um tra­bal­hador inescrupuloso?”

Featured Faculty

Dylan Minor

Member of the Department of Managerial Economics & Decision Sciences faculty until 2018

About the Writer

Sachin Waikar is a freelance writer based in Evanston, Illinois.

About the Research

Housman, Michael, and Dylan Minor. 2014. “Toxic Workers.” Working Paper.

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