Economics Finance Strategy mar 13, 2013

Quem quer ser capitão de um bar­co prestes a afundar?

Empre­sas em difi­cul­dades finan­ceiras não con­seguem atrair tal­en­to necessário mel­ho­rar sua condição

Based on the research of

Jennifer Brown

David A. Matsa

Se estivesse à procu­ra de novo emprego, qual empre­sa o atrairia: uma em boa condição finan­ceira ou uma em posição fis­cal arrisca­da ou até mes­mo dete­ri­o­ra­da? Se todos os out­ros fatores fos­sem iguais, qual­quer pes­soa provavel­mente escol­he­ria a primeira opção, a da empre­sa mais saudáv­el, e nem sequer se pre­ocu­paria em se can­di­datar à segun­da. Parece intu­iti­vo e óbvio que empre­sas em dete­ri­o­ração ten­ham prob­le­mas em atrair can­didatos a vagas de emprego. Porém, segun­do Jen­nifer Brown e David Mat­sa da Kel­logg School of Man­age­ment, ninguém havia inves­ti­ga­do empiri­ca­mente esta fac­eta de bom sen­so” econômico.

Não existe, na ver­dade, uma pro­va fac­tu­al que quan­tifique a respos­ta da ofer­ta de tra­bal­ho a um risco finan­ceiro de empre­sas”, diz Mat­sa. O novo livro de Brown e Mat­sa não ape­nas val­i­da a intu­ição de que os pre­tendentes a emprego evi­tam empre­sas con­tur­badas, mas tam­bém mede a mag­ni­tude deste efeito.

Tal­en­to não aparece no bal­anço
Para Brown, cuja pesquisa focou nos com­po­nentes econômi­cos dos recur­sos humanos, a análise do efeito de bar­co naufra­gan­do” é bas­tante atraente. A con­tur­bação em si pode reforçar mais tumul­tos”, diz ela. Quan­do uma empre­sa está ten­do mais difi­cul­dade do que o nor­mal, será necessário algo extra para super­ar a relutân­cia de can­didatos a emprego em embar­car nela. Isso, porém, pode ser difí­cil de realizar quan­do se está em uma posição precária. Com­preen­der mel­hor este cus­to indi­re­to pode aju­dar a evi­tar entrar nes­ta tur­bulên­cia em primeiro lugar”.

Mat­sa diz que esta­va inter­es­sa­do em quan­tificar a for­ma pela qual esta aver­são a empre­sas con­tur­badas por parte de can­didatos a emprego afe­ta a posição econômi­ca ger­al das empre­sas. É fácil medir as restrições finan­ceiras em um bal­anço finan­ceiro”, diz ele. Mas as difi­cul­dades não limi­tam ape­nas o cap­i­tal físi­co, limi­tam tam­bém o cap­i­tal humano. E o nos­so estu­do sug­ere que a per­da de cap­i­tal humano é tam­bém importante”.

No pas­sa­do, econ­o­mis­tas ten­taram medir esse efeito de bar­co naufra­gan­do” indi­re­ta­mente, com­para­n­do os salários ofer­e­ci­dos por setores que apre­sen­tam demis­sões fre­quentes aos ofer­e­ci­dos pelos setores mais estáveis. Brown e Mat­sa con­ce­ber­am uma abor­dagem mais dire­ta pelo aces­so aos dados de pesquisa e can­di­dat­uras de um grande site de bus­ca de emprego. (O site com­par­til­hou seus dados com os pesquisadores sob a condição de que não rev­e­lassem seu nome). As pes­soas podem diz­er que não querem tra­bal­har em empre­sas com difi­cul­dades, mas com isso , fomos capazes de obser­var o que as pes­soas real­mente fazem”, expli­ca Brown.

A pesquisa rev­ela…
A fim de avaliar se os can­didatos a emprego estavam evi­tan­do empre­sas que pas­sam por difi­cul­dades, primeiro Mat­sa e Brown tiver­am que desco­brir se os can­didatos eram capazes de deter­mi­nar com pre­cisão quais empre­sas eram saudáveis e quais não o eram. Os autores uti­lizaram dados de pesquisas real­izadas pelo site de emprego entre out­ubro de 2008 e março de 2010, solic­i­tan­do que mil­hares de can­didatos clas­si­fi­cas­sem a condição finan­ceira das empre­sas, em uma escala de um a cin­co. Brown e Mat­sa medi­ram o esta­do finan­ceiro real” das empre­sas, anal­isan­do os preços de seus swaps de default de crédi­to (CDS). Com­para­n­do estes dois con­jun­tos de dados, os autores pud­er­am avaliar a pre­cisão das opiniões dos can­didatos a emprego sobre a condição finan­ceira das empre­sas. Buscá­va­mos cor­re­lações entre per­cepção e real­i­dade”, diz Brown.

Os swaps de default de crédi­to con­stituem um aler­ta das oper­ações finan­ceiras da empre­sa: quan­to maior o preço do CDS, mais tur­bu­len­to o futuro da empre­sa. CDS é o seguro con­tra inadim­plên­cia de empre­sas quan­to aos seus títu­los”, expli­ca Mat­sa. Pode-se con­sid­er­ar isso como um indi­cador da prob­a­bil­i­dade de esta empre­sa não vir a pagar suas dívi­das e, em con­se­quên­cia, pos­sivel­mente demi­tir funcionários”.

Assim, Brown e Mat­sa não sug­erem que os can­didatos a emprego estão lit­eral­mente acom­pan­han­do os preços de CDS para avaliar quais empre­sas mere­ci­am suas can­di­dat­uras. Muito de sua con­sciên­cia provavel­mente provêm de jor­nais ou de ami­gos na empre­sa”, diz Mat­sa. Ele e Brown encon­traram uma cor­re­spondên­cia entre as avali­ações intu­iti­vas ou indi­re­tas dos can­didatos a emprego sobre o esta­do finan­ceiro de uma empre­sa e o seu real esta­do, con­forme refleti­do nos preços de CDS.

Não vale nem a pena se can­di­datar
Mas o que os can­didatos a emprego fazem, se é que chegue a isso, com estas infor­mações? Brown e Mat­sa tiver­am aces­so a for­mulários de can­di­dat­uras reais de emprego do site de emprego on-line (foca­do em um sec­tor especí­fi­co, o setor finan­ceiro). Isto per­mi­tiu que os autores obser­vassem exata­mente quais vagas estavam sendo anun­ci­adas em quais empre­sas, os req­ui­si­tos de for­mação para can­di­dat­uras e onde cada can­dida­to residia com base em seu códi­go postal res­i­den­cial. (Não foram com­par­til­ha­dos nomes e out­ros detal­h­es pes­soais). O desem­pen­ho das empre­sas de serviços finan­ceiros durante a recente crise fis­cal as trans­for­mou em um alvo atraente para esta análise mais especí­fi­ca. Algu­mas empre­sas apre­sen­taram bom desem­pen­ho e out­ras tiver­am mudanças muito drás­ti­cas em sua saúde finan­ceira”, diz Brown. Isso nos pro­por­cio­nou uma boa variação”.

Com ess­es dados, os autores pud­er­am faz­er com­para­ções detal­hadas entre vagas de emprego idên­ti­cas em empre­sas con­tur­badas e empre­sas saudáveis. Desco­bri­ram que as empre­sas con­tur­badas rece­ber­am um número con­sid­er­av­el­mente menor de pedi­dos de emprego em com­para­ção às empre­sas saudáveis: cer­ca de 20% menos can­didatos para cada mil pon­tos base de aumen­to no preço dos CDS da empre­sa. Ficamos sur­pre­sos ao saber que o efeito era tão grande”, diz Brown. Ess­es can­didatos não estavam sufi­cien­te­mente inter­es­sa­dos nem mes­mo na pos­si­bil­i­dade de ofer­ta de tra­bal­ho de uma empre­sa prob­lemáti­ca. Sim­ples­mente não se candidataram”.

O efeito de bar­co naufra­gan­do”, con­cluem os autores, ape­nas agra­va os prob­le­mas que empre­sas con­tur­badas ten­tam ultra­pas­sar. Em uma empre­sa con­tur­ba­da, as vagas de emprego com altos req­ui­si­tos de for­mação acadêmi­ca – que nor­mal­mente atrairi­am can­didatos de alta qual­i­dade, os quais pode­ri­am con­tribuir para mel­ho­rar o des­ti­no da empre­sa – tor­nam-se as mais difí­ceis de preencher. Profis­sion­ais de alta qual­i­dade tam­bém se tor­nam muito menos propen­sos à entrar em uma empre­sa con­tur­ba­da, restringin­do ain­da mais o pool de tal­en­to. Na ver­dade, o estu­do de Brown e Mat­sa mostra que a qual­i­dade média de can­didatos a emprego decai com a diminuição da saúde finan­ceira da empre­sa. As ten­ta­ti­vas de com­pen­sação, como por exem­p­lo, ofer­ta de salários mais ele­va­dos, não com­pen­sam total­mente o efeito”, diz Brown.

Tudo isto tor­na o efeito de bar­co naufra­gan­do”, de acor­do com o estu­do de Brown e Mat­sa, um peso na capaci­dade de a empre­sa se resti­tuir. A prin­ci­pal lição é evi­tar que sua empre­sa entre em uma situ­ação como essa”, diz Mat­sa. Porque, como demon­stram as descober­tas de Brown e Mat­sa, se a empre­sa tiv­er o azar de estar em uma situ­ação deses­per­ado­ra, poderá ter difi­cul­dade para atrair fun­cionários que pos­sam revert­er a situação.

About the Writer

John Pavlus is a writer and filmmaker focusing on science, technology, and design topics. He lives in Brooklyn, New York.

About the Research

Brown, Jennifer, and David A. Matsa. 2012. “Boarding a Sinking Ship? An Investigation of Job Applications to Distressed Firms.” NBER Working Paper No. 18208.

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