Leadership Organizations Careers set 6, 2016

Quer ser um bom chefe? Primeiro enten­da porque você quer liderar

Pesquisa explo­ra os prós e con­tras de dois esti­los de lid­er­ança distintos.

Michael Meier

Based on the research of

Jon Maner

Charleen R. Case

Dois esti­los de lid­er­ança — moti­va­dos pelo dese­jo de domínio ou prestí­gio — são exam­i­na­dos na pesquisa de Jon Man­er. Cada um tem prós e con­tras e fun­ciona mel­hor em cir­cun­stân­cias diferentes. 

Não é que uma estraté­gia seja boa e a out­ra seja ruim”, diz Man­er. As duas podem fun­cionar em difer­entes tipos de organizações”.

E ambas podem fun­cionar para o mes­mo líder. A pesquisa mostra que a maio­r­ia das pes­soas com impul­so por lid­er­ar out­ras pes­soas têm os dois con­jun­tos de habil­i­dades; só que um geral­mente é mais dom­i­nante do que o out­ro. A chave para uma lid­er­ança efi­caz, diz Man­er, é ser capaz de alternar rap­i­da­mente entre eles.

Parte do amadurec­i­men­to de um líder é a auto per­cepção”, diz Man­er, pro­fes­sor de gestão e orga­ni­za­ções. Muito dessa auto per­cepção envolve saber quem você é como líder e onde estão suas habil­i­dades. Como é pos­sív­el apren­der a aproveitar os pon­tos fortes de ambas as men­tal­i­dades evi­tan­do as armadil­has de cada uma? Porque cada uma delas tem suas armadilhas”.

Dom­inân­cia x Prestígio

Uma das descober­tas mais inter­es­santes, diz Man­er, é a forte cor­re­lação entre um dese­jo de poder e estar moti­va­do tan­to pela dom­i­nação quan­to pelo prestígio.

Emb­o­ra os dois traços este­jam cor­rela­ciona­dos pos­i­ti­va­mente, têm con­se­quên­cias muito, muito difer­entes para o com­por­ta­men­to de lid­er­ança”, diz Man­er, con­se­quên­cias muitas vezes opostas”.

A pesquisa recente real­iza­da por Man­er, em con­jun­to com Charleen Case, acadêmi­ca vis­i­tante de pré-doutora­men­to na Kel­logg, é uma análise pro­fun­da sobre seus próprios estu­dos e os de out­ros. Usa de uma per­spec­ti­va evolu­cionária, obser­van­do que os pri­matas têm uma lon­ga história de uso de téc­ni­cas de dom­i­nação, enquan­to que os líderes moti­va­dos pelo prestí­gio são um fenô­meno estri­ta­mente humano. Anal­isa­dos em con­jun­to, os estu­dos dão uma imagem clara dos dois tipos de líderes.

Os líderes moti­va­dos pela dom­i­nação escalam a hier­ar­quia e gan­ham seguidores por meio da intim­i­dação e da coerção. 

Eles exigem respeito em vez de per­mi­tir que seja ofer­e­ci­do livre­mente”, diz Maner.

Exis­tem pon­tos pos­i­tivos com isso. Eles são tomadores de decisão rápi­dos e inci­sivos e são bons em unir uma orga­ni­za­ção apoian­do uma úni­ca visão. No entan­to, às vezes estes líderes estão dis­pos­tos a sac­ri­ficar o mel­hor inter­esse do grupo com o obje­ti­vo de man­ter o con­t­role do poder. 

Por exem­p­lo, os par­tic­i­pantes de um exper­i­men­to foram infor­ma­dos de que estavam lid­eran­do um grupo e tin­ham que decidir quais sub­or­di­na­dos seri­am atribuí­dos a uma tare­fa ver­bal e a uma tare­fa matemáti­ca difí­ceis. Eles foram infor­ma­dos que um sub­or­di­na­do era par­tic­u­lar­mente dota­do de habil­i­dades verbais.

Os par­tic­i­pantes moti­va­dos pela dom­i­nação, que acred­i­tavam que sua adesão ao poder den­tro do grupo era fra­ca, foram muito mais propen­sos a atribuir esse sub­or­di­na­do à tare­fa matemáti­ca, mes­mo que o desem­pen­ho do grupo sofresse osten­si­va­mente. Isso impediu que o sub­or­di­na­do tal­en­toso bril­has­se demais. Por out­ro lado, os par­tic­i­pantes con­sid­er­a­dos como de alta moti­vação para o prestí­gio atribuíram aque­le sub­or­di­na­do à tare­fa verbal. 

Os líderes ori­en­ta­dos ao prestí­gio alcançam seu sta­tus exibindo seus con­hec­i­men­tos e habil­i­dades e con­vencem as pes­soas de que vale a pena segui-los. São hábeis em pro­mover a cria­tivi­dade e faz­er suas equipes ino­varem. No entan­to, pelo fato do seu poder se orig­i­nar da admi­ração, às vezes eles podem abrir mão de tomar uma decisão cer­ta em favor de uma decisão pop­u­lar. Além dis­so, eles são cheios de rodeios quan­do se tra­ta de dar feed­back difí­cil”, diz Maner.

Um estu­do desco­briu que os líderes ori­en­ta­dos ao prestí­gio vão con­tra o que veem como o mel­hor cur­so de ação para a orga­ni­za­ção ao tomar uma decisão públi­ca que seja impop­u­lar. No entan­to, se a decisão for toma­da sem que os sub­or­di­na­dos saibam, ess­es mes­mos líderes optam pela mel­hor escol­ha para o grupo.

Esti­los de lid­er­ança em ação

Nas suas aulas, Man­er men­ciona Steve Jobs e War­ren Buf­fett como exem­p­los de esti­los de lid­er­ança ori­en­ta­dos para a dom­i­nação X prestí­gio. Nos dias de hoje, é difí­cil con­tem­plar estes dois esti­los e não pen­sar ime­di­ata­mente em Don­ald Trump e Hillary Clinton.

Trump é um exem­p­lo par­a­dig­máti­co de um líder dom­i­nante”, diz Man­er. Clin­ton, eu acred­i­to, e Oba­ma tam­bém, são muito mel­hores em esta­b­ele­cer rela­ciona­men­tos. Isso tem muito mais a ver com prestígio”.

Curiosa­mente, a pesquisa de Man­er mostra con­sis­ten­te­mente que não há cor­re­lação entre o esti­lo de lid­er­ança e o gênero.

Todo mun­do tem a intu­ição de que os home­ns são mais dom­i­nantes, e eu ten­ho que admi­tir que, quan­do começamos esse pro­gra­ma de pesquisa, tam­bém tive­mos essa intu­ição”, diz Man­er. No entan­to, nós nun­ca encon­tramos . As mul­heres são tão propen­sas a imple­men­tar ambas as estraté­gias quan­to os homens”.

Iden­ti­f­i­can­do seu esti­lo de liderança

Então, que tipo de líder é você? Man­er ofer­ece algu­mas maneiras fáceis de descobrir. 

Você nota que é o que mais fala nas reuniões? Neste caso, é prováv­el que você seja um líder moti­va­do pela dom­i­nação. Ao pas­so que se está ouvin­do mais, provavel­mente está mais ori­en­ta­do para o prestígio”.

Out­ra per­gun­ta a faz­er a si mes­mo: Você se colo­ca men­tal­mente no lugar do seu fun­cionário fre­quente­mente? Neste caso, é prováv­el que você seja um líder moti­va­do pelo prestígio. 

Exis­tem provas deci­si­vas semel­hantes que pode faz­er quan­do estiv­er con­tratan­do ou avalian­do os mem­bros da equipe. 

Tente colo­car a pes­soa em um ambi­ente de grupo, sug­ere Man­er. As pes­soas dom­i­nantes ten­dem a dom­i­nar as con­ver­sas”, diz Man­er. Não ouvem muito bem. Enquan­to out­ras pes­soas estão falan­do, elas estão pen­san­do no que irão dizer”.

Uma car­ac­terís­ti­ca com­pli­ca­da é que a dom­i­nação muitas vezes pode se dis­farçar ini­cial­mente de competência. 

Eles podem não saber tan­to, mas se afir­mam de tal for­ma que faz com que pareça que sabem”, diz Man­er. Assim, para con­ferir, tente aplicar nos can­didatos um teste obje­ti­vo dos seus con­hec­i­men­tos e habil­i­dades, ou coloque uma pes­soa na entre­vista que pos­sa rap­i­da­mente avaliar se o que o can­dida­to está afir­man­do está correto. 

Out­ro sinal sutil de esti­lo de lid­er­ança, que é con­fir­ma­do em estu­dos de out­ros pri­matas, é que as pes­soas moti­vadas pela dom­i­nação ten­dem a reduzir a voz quan­do se afir­mam em situ­ações sociais.

Pes­soas que se pre­ocu­pam mais com o rela­ciona­men­to não fazem isso porque é intim­i­dante e as out­ras pes­soas não gostam dis­so”, diz Maner.

O líder cer­to para a orga­ni­za­ção certa

Man­er sabe que grande parte das pesquisas neste cam­po tem dado uma imagem bas­tante mag­nân­i­ma dos líderes moti­va­dos pelo prestí­gio. E, se você tiv­er que escol­her um, ele diz que o prestí­gio é a mel­hor aposta.

No entan­to, a escol­ha na ver­dade se resume às metas da sua organização.

Quan­do pre­cisa que todas as pes­soas da sua equipe apre­sen­tem uma frente unifi­ca­da e se movam rap­i­da­mente em uma direção comum, quan­do não há tem­po para as pes­soas pen­sarem fora da caixa, neste caso, o ide­al é um líder dom­i­nante”, diz Man­er. Por out­ro lado, se estiv­er ten­tan­do faz­er com que sua equipe inove ou pro­duza soluções cria­ti­vas, a estraté­gia ide­al é a ori­en­ta­da para o prestígio”.

A estru­tu­ra da sua orga­ni­za­ção tam­bém pode ditar o tipo de líder que irá pros­per­ar. Orga­ni­za­ções muito hierárquicas com grandes lacu­nas de poder entre as posições apelam aos líderes moti­va­dos pela dom­i­nação. Eles real­mente gostam de mui­ta dis­tân­cia entre eles e seus sub­or­di­na­dos porque isso os aju­da a man­ter o poder”, expli­ca Maner.

Essas grandes lacu­nas de poder tor­nam os líderes moti­va­dos pelo prestí­gio descon­fortáveis. Isto os faz se sen­tir ansiosos porque real­mente val­orizam os rela­ciona­men­tos”, diz ele. Eles ten­dem a tra­bal­har mel­hor em orga­ni­za­ções que são rel­a­ti­va­mente horizontais”.

A pesquisa mostra que os líderes dom­i­nantes estão dis­pos­tos a sab­o­tar suas próprias equipes quan­do sen­tem que seu poder está instáv­el den­tro da orga­ni­za­ção. No entan­to, o opos­to é ver­dadeiro quan­do con­fronta­dos com um grupo con­cor­rente exter­no. Isso tende a estim­u­lar os líderes moti­va­dos pela dom­i­nação a pri­orizar o bem do grupo aci­ma de quais­quer dese­jos egoís­tas”, diz Maner. 

Assim, orga­ni­za­ções com um líder dom­i­nante forte podem se ben­e­fi­ciar em destacar os suces­sos de seus con­cor­rentes para man­ter os maus instin­tos do seu líder sob controle.

Pelo fato de a maio­r­ia dos líderes serem ver­sa­dos em ambos os esti­los de lid­er­ança, a chave é saber quan­do tran­si­tar de uma para out­ra, diz Maner. 

Os bons líderes têm a intu­ição da pri­or­i­dade de uma estraté­gia em relação a out­ra”, diz Man­er. Mas pode-se sem­pre mel­ho­rar quan­do se sabe como se com­por­tar depen­den­do da situação”.

Featured Faculty

Jon Maner

Member of the department of management and operations from 2014-2017.

About the Writer

Emily Stone is the senior research editor at Kellogg Insight.

About the Research

Maner, Jon K., Charleen R. Case. 2016. “Dominance and Prestige: Dual Strategies for Navigating Social Hierarchies.” Advances in Experimental Social Psychology. In press.

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