Dois estilos de liderança—motivados pelo desejo de domínio ou prestígio—são examinados na pesquisa de Jon Maner. Cada um tem prós e contras e funciona melhor em circunstâncias diferentes.

"Não é que uma estratégia seja boa e a outra seja ruim", diz Maner. "As duas podem funcionar em diferentes tipos de organizações".

E ambas podem funcionar para o mesmo líder. A pesquisa mostra que a maioria das pessoas com impulso por liderar outras pessoas têm os dois conjuntos de habilidades; só que um geralmente é mais dominante do que o outro. A chave para uma liderança eficaz, diz Maner, é ser capaz de alternar rapidamente entre eles.

"Parte do amadurecimento de um líder é a auto percepção", diz Maner, professor de gestão e organizações. "Muito dessa auto percepção envolve saber quem você é como líder e onde estão suas habilidades. Como é possível aprender a aproveitar os pontos fortes de ambas as mentalidades evitando as armadilhas de cada uma? Porque cada uma delas tem suas armadilhas".

Dominância x Prestígio

Uma das descobertas mais interessantes, diz Maner, é a forte correlação entre um desejo de poder e estar motivado tanto pela dominação quanto pelo prestígio.

"Embora os dois traços estejam correlacionados positivamente, têm consequências muito, muito diferentes para o comportamento de liderança", diz Maner, "consequências muitas vezes opostas".

A pesquisa recente realizada por Maner, em conjunto com Charleen Case, acadêmica visitante de pré-doutoramento na Kellogg, é uma análise profunda sobre seus próprios estudos e os de outros. Usa de uma perspectiva evolucionária, observando que os primatas têm uma longa história de uso de técnicas de dominação, enquanto que os líderes motivados pelo prestígio são um fenômeno estritamente humano. Analisados em conjunto, os estudos dão uma imagem clara dos dois tipos de líderes.

Os líderes motivados pela dominação escalam a hierarquia e ganham seguidores por meio da intimidação e da coerção.

"Eles exigem respeito em vez de permitir que seja oferecido livremente", diz Maner.

Existem pontos positivos com isso. Eles são tomadores de decisão rápidos e incisivos e são bons em unir uma organização apoiando uma única visão. No entanto, às vezes estes líderes estão dispostos a sacrificar o melhor interesse do grupo com o objetivo de manter o controle do poder.

Por exemplo, os participantes de um experimento foram informados de que estavam liderando um grupo e tinham que decidir quais subordinados seriam atribuídos a uma tarefa verbal e a uma tarefa matemática difíceis. Eles foram informados que um subordinado era particularmente dotado de habilidades verbais.

Os participantes motivados pela dominação, que acreditavam que sua adesão ao poder dentro do grupo era fraca, foram muito mais propensos a atribuir esse subordinado à tarefa matemática, mesmo que o desempenho do grupo sofresse ostensivamente. Isso impediu que o subordinado talentoso brilhasse demais. Por outro lado, os participantes considerados como de alta motivação para o prestígio atribuíram aquele subordinado à tarefa verbal.

Os líderes orientados ao prestígio alcançam seu status exibindo seus conhecimentos e habilidades e convencem as pessoas de que vale a pena segui-los. São hábeis em promover a criatividade e fazer suas equipes inovarem. No entanto, pelo fato do seu poder se originar da admiração, às vezes eles podem abrir mão de tomar uma decisão certa em favor de uma decisão popular. Além disso, "eles são cheios de rodeios quando se trata de dar feedback difícil", diz Maner.

Um estudo descobriu que os líderes orientados ao prestígio vão contra o que veem como o melhor curso de ação para a organização ao tomar uma decisão pública que seja impopular. No entanto, se a decisão for tomada sem que os subordinados saibam, esses mesmos líderes optam pela melhor escolha para o grupo.

Estilos de liderança em ação

Nas suas aulas, Maner menciona Steve Jobs e Warren Buffett como exemplos de estilos de liderança orientados para a dominação X prestígio. Nos dias de hoje, é difícil contemplar estes dois estilos e não pensar imediatamente em Donald Trump e Hillary Clinton.

"Trump é um exemplo paradigmático de um líder dominante", diz Maner. "Clinton, eu acredito, e Obama também, são muito melhores em estabelecer relacionamentos. Isso tem muito mais a ver com prestígio".

Curiosamente, a pesquisa de Maner mostra consistentemente que não há correlação entre o estilo de liderança e o gênero.

"Todo mundo tem a intuição de que os homens são mais dominantes, e eu tenho que admitir que, quando começamos esse programa de pesquisa, também tivemos essa intuição", diz Maner. "No entanto, nós nunca encontramos . As mulheres são tão propensas a implementar ambas as estratégias quanto os homens".

Identificando seu estilo de liderança

Então, que tipo de líder é você? Maner oferece algumas maneiras fáceis de descobrir.

Você nota que é o que mais fala nas reuniões? Neste caso, é provável que você seja um líder motivado pela dominação. "Ao passo que se está ouvindo mais, provavelmente está mais orientado para o prestígio".

Outra pergunta a fazer a si mesmo: Você se coloca mentalmente no lugar do seu funcionário frequentemente? Neste caso, é provável que você seja um líder motivado pelo prestígio.

Existem provas decisivas semelhantes que pode fazer quando estiver contratando ou avaliando os membros da equipe.

Tente colocar a pessoa em um ambiente de grupo, sugere Maner. "As pessoas dominantes tendem a dominar as conversas", diz Maner. "Não ouvem muito bem. Enquanto outras pessoas estão falando, elas estão pensando no que irão dizer".

Uma característica complicada é que a dominação muitas vezes pode se disfarçar inicialmente de competência.

"Eles podem não saber tanto, mas se afirmam de tal forma que faz com que pareça que sabem", diz Maner. Assim, para conferir, tente aplicar nos candidatos um teste objetivo dos seus conhecimentos e habilidades, ou coloque uma pessoa na entrevista que possa rapidamente avaliar se o que o candidato está afirmando está correto.

Outro sinal sutil de estilo de liderança, que é confirmado em estudos de outros primatas, é que as pessoas motivadas pela dominação tendem a reduzir a voz quando se afirmam em situações sociais.

"Pessoas que se preocupam mais com o relacionamento não fazem isso porque é intimidante e as outras pessoas não gostam disso", diz Maner.

O líder certo para a organização certa

Maner sabe que grande parte das pesquisas neste campo tem dado uma imagem bastante magnânima dos líderes motivados pelo prestígio. E, se você tiver que escolher um, ele diz que o prestígio é a melhor aposta.

No entanto, a escolha na verdade se resume às metas da sua organização.

"Quando precisa que todas as pessoas da sua equipe apresentem uma frente unificada e se movam rapidamente em uma direção comum, quando não há tempo para as pessoas pensarem fora da caixa, neste caso, o ideal é um líder dominante", diz Maner. "Por outro lado, se estiver tentando fazer com que sua equipe inove ou produza soluções criativas, a estratégia ideal é a orientada para o prestígio".

A estrutura da sua organização também pode ditar o tipo de líder que irá prosperar. Organizações muito hierárquicas com grandes lacunas de poder entre as posições apelam aos líderes motivados pela dominação. "Eles realmente gostam de muita distância entre eles e seus subordinados porque isso os ajuda a manter o poder", explica Maner.

Essas grandes lacunas de poder tornam os líderes motivados pelo prestígio desconfortáveis. "Isto os faz se sentir ansiosos porque realmente valorizam os relacionamentos", diz ele. "Eles tendem a trabalhar melhor em organizações que são relativamente horizontais".

A pesquisa mostra que os líderes dominantes estão dispostos a sabotar suas próprias equipes quando sentem que seu poder está instável dentro da organização. No entanto, o oposto é verdadeiro quando confrontados com um grupo concorrente externo. Isso tende a estimular os líderes motivados pela dominação a priorizar "o bem do grupo acima de quaisquer desejos egoístas", diz Maner.

Assim, organizações com um líder dominante forte podem se beneficiar em destacar os sucessos de seus concorrentes para manter os maus instintos do seu líder sob controle.

Pelo fato de a maioria dos líderes serem versados em ambos os estilos de liderança, a chave é saber quando transitar de uma para outra, diz Maner.

"Os bons líderes têm a intuição da prioridade de uma estratégia em relação a outra", diz Maner. "Mas pode-se sempre melhorar quando se sabe como se comportar dependendo da situação".