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Organizations ago. 3, 2020

A melhor maneira de fazer a rotatividade de pessoal (ou alunos) em locais fechados para conter a disseminação da Covid-19

O escalonamento deve ser feito diariamente? Semanalmente? Mensalmente? Um novo modelo ajuda nas decisões por parte de organizações.

Researchers have developed a system for rotating groups that can limit the potential for COVID-19 spread among teams.

Lisa Röper

Based on the research of

Jeffrey Ely

Andrea Galeotti

Jakub Steiner

À medida que escolas e empresas avaliam a possibilidade de reabrir com segurança, muitas exploram planos de rotatividade onde grupos de alunos ou funcionários se revezam na ocupação do espaço físico. A ideia básica por trás da rotatividade é simples: o menor número de pessoas reunidas juntas permite um distanciamento social mais fácil. Além disso, horários escalonados podem ajudar a minimizar a transmissão da COVID-19.

“Embora não seja possível saber se uma infecção teve início em uma organização - e caso tenha, o quanto progrediu - é possível ainda tentar gerenciar a disseminação dessa possível infecção invisível controlando quem interage com quem”, diz Jeffrey Ely, professor de economia gerencial e ciências da decisão (cortesia) na Kellogg School, e professor de economia na Northwestern University.

Porém, por mais atraentes que os planos de rotatividade possam parecer à primeira vista, as autoridades de saúde coletiva oferecem pouquíssimas instruções sobre sua implementação por parte das organizações. Assim, os líderes têm que adivinhar como tomar as decisões mais básicas, por exemplo, a frequência com que devem alternar entre os grupos - diária, semanal ou mensalmente? Será que esses esquemas valem a pena em se tratando de organizações de grande porte, uma vez que é praticamente inevitável não haver algum nível de interação entre os grupos de rotatividade?

Uma nova pesquisa efetuada por Jeffrey Ely e seus colegas fornece diretrizes concretas para organizações que se deparam com essas questões.

Com Andrea Galeotti da London Business School e Jakub Steiner da Universidade de Zurique, Ely usa modelos matemáticos para simular vários possíveis esquemas de rotatividade. Os pesquisadores então identificam qual é o plano mais adequado para o tipo de organização, baseado na capacidade de a organização detectar e reagir rapidamente a infecções.

O que descobriram foi que, para organizações com um tempo de reação rápido, a estratégia ideal é a rotatividade frequente - ou seja, dividir a equipe em dois grupos, e cada um comparecer ao escritório em dias alternados. No entanto, para organizações que respondem mais lentamente, a estratégia ideal é a rotatividade mínima - ou seja, um grupo trabalhando no escritório por um mês todo e o outro grupo durante todo o mês seguinte.

Em ambos os cenários, o plano de rotatividade minimiza o número de pessoas saudáveis que entram em contato com as infectadas. Isso significa um menor número de novas infecções entre o momento em que uma pessoa é infectada e o momento em que a organização pode detectar sua infecção e instrui-las para ficar em quarentena.

É importante ressaltar que os pesquisadores também descobriram que, para ser benéfico, um plano de rotatividade não precisa ser perfeito. Embora o ideal seja não haver interação entre grupos, uma pequena mistura não exacerba dramaticamente a propagação da doença, concluem os autores.

“Se fizer tudo da maneira certa, haverá benefícios”, diz Ely.

Qual é o melhor plano de rotatividade para a COVID?

Os pesquisadores levaram em conta uma organização com dois mil funcionários, divididos em dois grupos de tamanhos iguais, Grupo A e Grupo B. Os dois grupos se revezam no mesmo espaço físico durante a pandemia.

No cenário dos pesquisadores, uma pessoa da organização pode ser infectada. Mas, basicamente, leva um tempo para a organização tomar conhecimento de sobre a infecção e, em caso afirmativo, a qual Grupo (A ou B) o indivíduo infectado pertence.

Esse tempo de reação lento é similar ao do mundo real, explica Ely. Algumas pessoas com COVID-19 são inicialmente assintomáticas e mesmo as que apresentam sintomas podem relutar em informar, já que isso pode obrigá-las a faltar ao trabalho ou à escola. Mesmo quando os testes estejam prontamente disponíveis, os resultados geralmente só estão disponíveis após vários dias. Além disso, ele acrescenta, “a própria organização pode não ter a infraestrutura de tomada de decisão para agir imediatamente”.

No modelo dos pesquisadores, presumiu-se que os membros da organização só podem espalhar a infecção uns para os outros se estiverem juntos no mesmo espaço (muito embora, tal como na vida real, os indivíduos também possam contrair a infecção de outras pessoas de fora da organização).

Assim, para minimizar a propagação do vírus, com que frequência os dois grupos devem ser alternados?

Os modelos dos pesquisadores revelaram que o tempo de reação de uma organização - o número total de dias entre o início da infecção e a respectiva conscientização por parte dos líderes - é o que vai determinar a frequência com que a organização deve alternar entre os grupos de rotatividade.

Os cronogramas de rotatividade ideais dependem do tempo de reação por parte da organização

Para se poder ter uma ideia do por que o tempo de reação determina o cronograma de rotatividade ideal, diz Ely, imagine você ser o líder de uma organização hipotética que acabou de decidir fazer a rotatividade entre dois grupos, mas ainda não determinou a frequência dela.

Suponha, por exemplo, que o Grupo A veio ao prédio para trabalhar durante os últimos seis dias (não como parte de um esquema de rotatividade, mas simplesmente no curso normal dos negócios). Agora é preciso decidir o que deve acontecer no sétimo dia, o primeiro dia do novo cronograma de rotatividade: o Grupo A ou o Grupo B deve comparecer pessoalmente ao recinto no sétimo dia?

Primeiro, imagine que a empresa tenha um plano de testes robusto que, em caso de infecção, leve apenas dois dias para que a empresa tome conhecimento sobre a situação.

“O importante sobre o tempo de reação de dois dias é que, neste sétimo dia, como não se viu nada ainda, você sabe que não houve infecção sete dias atrás”, diz Ely, “e você sabe que não aconteceu seis dias atrás. Se fosse assim, teria sido no máximo dois dias atrás. E em dois dias, é bastante improvável ter havido muita transmissão” em relação ao tamanho da organização, uma vez que o breve espaço de tempo limita o número de interações possíveis.

Consequentemente, após seis dias no prédio, o Grupo A tem um número relativamente pequeno de indivíduos infectados, sendo que a grande maioria ainda está saudável. No entanto, como o vírus pode já ter tido um ou dois dias para se espalhar, o número de pessoas doentes - que poderiam espalhar o vírus para outras pessoas - é maior do que era quando o vírus chegou pela primeira vez ao grupo. Essa combinação infeliz - muitos alvos saudáveis, além de um número crescente de portadores - pode fazer com que a infecção se espalhe muito rapidamente dali para diante. “Assim, um dia a mais para este grupo vai ser bastante custoso em termos de novas infecções”, diz Ely.

O Grupo B, por outro lado, também tem muitos possíveis alvos saudáveis - mas, como não estiveram no espaço juntos, o número de infecções provavelmente será menor. Isso significa que o vírus (se presente) se espalhará, em média, mais lentamente neste grupo. Os pesquisadores descobriram, então, que é melhor que o Grupo B dê início à sua rotatividade no sétimo dia.

No entanto, após o sétimo dia, os respectivos grupos estarão na situação oposta. Agora, qualquer infecção potencial (que, novamente, pode ou não existir) teve um dia inteiro para se espalhar pelo Grupo B, o que significa que este grupo agora pode ter a má combinação de muitos alvos saudáveis e um número crescente de propagadores. No entanto, como o Grupo A foi colocado em quarentena com segurança, é possível se certificar de que não houve novas transmissões entre os membros do grupo - e, graças ao rápido tempo de detecção, é possível colocar em quarentena qualquer pessoa que tenha sido infectada dois ou mais dias atrás. Assim, se houver alguma infecção nova não detectada no Grupo A (ou seja, aquelas resultantes de pessoas que se socializam fora do trabalho ou da escola), ainda não terá se espalhado pelo grupo, o que significa que haverá poucos portadores.

Nesse ponto, trazer de volta o Grupo B ao recinto novamente provavelmente resultará em mais infecções do que trazer o Grupo A para o local, então a empresa desejará alternar o Grupo A no oitavo dia - e assim por diante. Em todos os dias subsequentes, o grupo “mais seguro” será aquele que ficou em quarentena no dia anterior. Portanto, a estratégia ideal é alternar entre os dois grupos diariamente.

Assim, reduz-se pela metade o tempo que uma infecção até então não detectada pode se espalhar em qualquer um dos grupos. Na média, confirmam os pesquisadores, essa estratégia minimizará a transmissão.

A detecção mais lenta da COVID-19 exige menor frequência na rotatividade

Agora imagine um cenário mais sombrio: devido à falta de testes, leva 10 dias para a empresa tomar conhecimento de uma infecção.

Nesse caso, após o sexto dia, “não se sabe se houve infecção”, explica Ely. “Porém, sabe-se que, caso tenha ocorrido, é bem provável que tempo suficiente tenha passado para que muitos desses indivíduos ficassem infectados. E agora você está nesta situação sombria em que, basicamente, e há muitas pessoas infectadas interagindo com muitas pessoas infectadas”.

Como agora há relativamente pouco espaço físico para o vírus se espalhar, o "custo" de manter o Grupo A nas instalações por mais um dia é relativamente baixo - em média, produzirá menos novas infecções do que trazer o Grupo B para o recinto, no qual uma infecção latente poderia se espalhar drasticamente em um dia, já que a grande maioria das pessoas é saudável.

A mesma lógica se manterá no oitavo dia e todos os dias seguinte, até que o vírus seja neutralizado. Assim, um cronograma de rotatividade mais longo - digamos, alternar entre o Grupo A e o Grupo B uma vez por mês (ou até com menos frequência) - é a melhor maneira de conter a disseminação total do vírus, devido a um tempo de reação lento.

Ely enfatiza que essa programação de rotatividade lenta não significa necessariamente que todo um grupo ficará doente (novamente, o modelo presume que a organização tenha informações imperfeitas e não pode ter certeza se há uma infecção até vários dias após o fato). Mas, na realidade, se alguém começar a apresentar sintomas, a organização deve isolar imediatamente essa pessoa e qualquer pessoa com quem ela tenha entrado em contato, observa ele.

Apesar de os pesquisadores restringirem sua análise a dois grupos de rotatividade para simplificar, Ely observa que a ideia é a mesma se houver mais de dois grupos. Ele recomenda que as organizações usem diretrizes de distanciamento social para calcular o número máximo de pessoas que o espaço pode acomodar com segurança durante um determinado período, o que, consequentemente, ditará quantos grupos são necessários. “Se for preciso reduzir a presença em 50%, pode alternar dois grupos”, explica ele. “Se for 33%, você precisa alternar três grupos. E assim por diante”.

O que acontece se misturar os grupos de rotatividade?

No modelo teórico dos pesquisadores, os dois grupos de rotatividade permanecem perfeitamente separados. No entanto, Ely reconhece que, no mundo real, nem sempre isso é possível.

“Pode haver alguns indivíduos que simplesmente precisam estar presentes o tempo todo, e essa é um esquema que não é possível evitar”, diz ele. “Ou pode ser que haja algumas pessoas que tiram um dia de folga e talvez queira ocupar o lugar delas com alguém do outro grupo.”

Quando os pesquisadores permitem esse tipo de combinação em modelos matemáticos, eles descobrem que isso leva a taxas médias de transmissão mais altas do que quando não há mistura de pessoas. Isso é o que se esperava, explica Ely, uma vez que os planos de rotatividade minimizam a transmissão, aumentando as chances de que a maioria das pessoas infectadas interaja com outras pessoas infectadas, e a maioria das pessoas saudáveis com pessoas saudáveis. A combinação de pessoas, por outro lado, torna mais provável a interação entre doentes e saudáveis.

No entanto, a matemática revela ser improvável que uma pequena combinação de pessoas exacerbe a propagação do vírus. Por exemplo, eles descobriram que se uma organização de 100 pessoas se rotaciona diariamente entre o Grupo A e o Grupo B, e 10% das pessoas estão infectadas, a troca de membros entre os grupos deve levar a não mais do que uma infecção extra no total, em média.

Essa descoberta pode ser de especial interesse para administradores escolares, visto que alguns distritos estão planejando designar um professor para vários grupos de alunos.“Pequenos desvios da rotatividade perfeita têm um impacto insignificante na disseminação da doença”, diz Ely. “Portanto, não se preocupe com 100% de perfeição”.

Featured Faculty

Charles E. and Emma H. Morrison Professor of Economics, Weinberg College of Arts & Sciences; Professor of Managerial Economics & Decision Sciences (Courtesy)

About the Writer
Jake J. Smith is a research editor at Kellogg Insight.
About the Research
Ely, Jeffrey, Andrea Galeotti, and Jakub Steiner. 2020. "Rotation as Contagion Mitigation." Working paper.
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