Kellogg Insight - É óbvio que as pessoas de fora do setor trazem novas ideias. Mas seriam elas melhores empreendedores?
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Innovation Entrepreneurship dez 6, 2018

É óbvio que as pessoas de fora do setor trazem novas ideias. Mas seriam elas melhores empreendedores?

Novos insights de um estudo definitivo sobre o que fundadores de startups de sucesso têm em comum.

An entrepreneur perfects her invention.

Lisa Röper

Based on the research and insights of

Benjamin F. Jones

Quando pensamos em empreendedores, a maioria de nós imagina alguém como o jovem Steve Jobs—um espírito ambicioso e não conformista, ansioso por desafiar a condição social do momento. Na verdade, nossa cultura tende a criar um mito a partir da ruptura juvenil dos setores sérios.

No entanto, como uma pesquisa realizada na Kellogg School demonstrou, a maioria dos empreendedores bem-sucedidos, na verdade, é de meia-idade. E embora esse achado tenha atraído grande parte da atenção da mídia, a pesquisa traz outra conclusão importante: os empreendedores mais bem-sucedidos têm ampla experiência no segmento ou setor onde acabam competindo. Afinal das contas, o Steve Jobs abandonou a faculdade para se juntar ao time da Atari ainda na adolescência.

“Muitas vezes os empreendedores fundam empresas no setor restrito da indústria onde trabalham", diz Ben Jones, professor de estratégia e empreendedorismo e coautor do estudo. "Aqueles com experiência no setor são muito mais propensos a ter sucesso do que os que vêm de fora do setor".

A pesquisa de Jones exige uma compreensão mais detalhada sobre o empreendedorismo.

“Inovações sérias geralmente surgem dentro de um campo específico” como resultado de uma profunda experiência e resolução de problemas criativa, diz ele. "Se a pessoa está familiarizada com os meandros do setor, tendo trabalhado nele e tendo uma forte rede profissional, as chances de sucesso são maiores".

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Apesar de a nossa visão da competição empresarial às vezes se assemelhar a de gladiadores, a "destruição criativa” geralmente é mais criativa do que destrutiva—consertos mais engenhosos em vez de uma mudança tectônica em grande escala. A maioria das inovações combina o status quo do setor com algo novo. Para fazer isso bem, é preciso estar familiarizado com o que já existe tradicionalmente no setor.

“Há muitas variáveis na inovação de sucesso”, diz Jones. “Mas, claramente, uma delas é a imersão em um campo ou setor específico”.

As pessoas que conhecem os produtos, clientes, fornecedores, concorrentes e canais de distribuição estão melhor posicionadas para ver onde está a oportunidade porque viram ou experimentaram os pontos problemáticos do setor em primeira mão.

E as que trabalham transversalmente em vários setores estão em posição especialmente boa para traduzir conhecimento em ação, diz Jones. Por exemplo, se você acumulou anos—e quilômetros—no setor de ciclismo, pode estar melhor equipado para liderar inovações de sucesso no setor de bebidas para hidratação.

Jones descreve dois exemplos bem conhecidos para ilustrar essa ideia. Antes do seu sucesso com um McDonald's, Ray Kroc teve anos de experiência no setor de restaurantes por meio do seu trabalho de venda de liquidificadores de milk-shake nos Estados Unidos. Assim, quando visitou a lanchonete dos irmãos McDonald, na Califórnia, entendeu imediatamente o potencial que poderia ter alcance nacional do modelo de negócios, e seu conhecimento sobre produtos descartáveis—por exemplo, mixers e canudos—foi diretamente relevante para o sucesso inicial da franquia McDonald's.

Ou vejamos o caso de David Duffield, que fundou a PeopleSoft e acabou vendendo-a para a Oracle por mais de US$ 10 bilhões. Quase duas décadas depois, ele repetiu o sucesso com a WorkDay, a empresa de software de recursos humanos e finanças. Por ter iniciado sua carreira na IBM como representante de marketing e engenheiro de sistemas, ele conhecia todos os pequenos pormenores do setor de software e, quando percebeu a necessidade e a oportunidade de inovar, ele tomou a iniciativa.

Para Jones, isso mostra a grande importância da experiência, mesmo em áreas como a tecnologia que criou o mito da história de sucesso do jovem prodígio.

"Estudei a respeito de idade e criatividade por algum tempo, e há um padrão de vencedores do Prêmio Nobel, inventores, artistas e mentes inovadoras fazendo avanços na casa dos 40 anos", diz Jones. “Não acho que seja uma coincidência ver o mesmo padrão nos negócios. São pessoas que já estão no meio há algum tempo e que viram o que dá certo”.

O valor do capital humano


No entanto, obviamente, simplesmente trabalhar em um setor não significa que a pessoa irá se tornar empreendedor de sucesso. Parte do que diferencia os inovadores é a capacidade de aprender com cada experiência que acumulam.

“O capital humano pode fazer uma verdadeira diferença”, diz Jones—“uma combinação de formação, experiência e conhecimento específico do mercado”. Assim, anos vendendo máquinas de milk-shake, ou uma década como engenheiro da IBM, constrói um tipo especial de capital humano.

Isso não quer dizer que empreendedores inexperientes não possam tirar proveito do capital humano ao seu redor. “Um empreendedor jovenzinho com uma boa ideia e recursos financeiros ainda pode realizar muitas coisas, porém tendem a ter uma equipe experiente", diz Jones. Não se trata apenas de mentoria: os jovens empreendedores dependem de pessoas experientes para entender e preservar os elementos do status quo que realmente já funcionam bem.

É por isso que o capital social—ou ter acesso a uma ampla rede—é fundamental para o empreendedorismo de sucesso em qualquer idade, um ponto que é frequentemente esquecido em nossa celebração de fundadores “solitários” como Bill Gates, Elon Musk ou Mark Zuckerberg. Ao invés de trabalhar na obscuridade, esses empreendedores trabalham dentro das redes sociais, que têm seus próprios fluxos de informações privadas para facilitar a criação de equipes ou grupos de assessores experientes, que podem ajudá-los a colocar seus empreendimentos em funcionamento.

“Obviamente, é preciso também ter capital financeiro”, diz Jones, mas é o capital humano e social que pode ajudar a aprimorar uma ideia e fazer com que ela funcione, muito além de meramente conseguir que seja financiada.

“Quanto mais tentativas, melhor”


Há também uma razão bastante direta pela qual empreendedores experientes têm uma chance maior de sucesso: têm muito mais experiência. Quanto maior o risco assumido pelo empreendedor, maior será a oportunidade de algumas delas vingarem, diz Jones. E nem todo mundo está disposto a continuar tentando depois de compilar uma lista de empreendimentos fracassados.

Antes que suas ideias empreendedoras dessem certo, Ray Kroc teve dificuldades. Ele estava na casa dos cinquentas antes de fundar o McDonald's. Mesmo assim, levou anos para Kroc chegar à ideia que fez com que seu empreendimento desse lucro: comprar propriedades suburbanas baratas e alugá-las para os franqueados do McDonald's.

“É uma questão de probabilidade", diz Jones. “As pessoas que estudam seu setor e prestam bastante atenção aprenderam algumas coisas por meio da tentativa e erro, ou aprenderam observando outras pessoas. O fracasso em si talvez seja um instrutor útil. Ou talvez seja apenas uma questão de nunca desistir e continuar tentando”.

Featured Faculty

Benjamin F. Jones

Professor of Strategy; Faculty Director, Kellogg Innovation and Entrepreneurship Initiative (KIEI)

About the Writer

Drew Calvert is a freelance writer based in Los Angeles.

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