Kellogg Insight - Será que a Inteligência Artificial está impulsionando um renascimento criativo?
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Será que a Inteligência Artificial está impulsionando um renascimento criativo?
Artificial Intelligence Careers Organizations jun. 1, 2026

Será que a Inteligência Artificial está impulsionando um renascimento criativo?

Quando as pessoas veem a automação como uma ameaça, elas priorizam estrategicamente a criatividade nos currículos e carreiras.

Jesús Escudero

Based on the research of

Monica Gamez-Djokic

Adam Waytz

Maryam Kouchaki

Isso já é algo que ouvimos o tempo todo:  a IA está chegando para roubar nossos empregos.

O uso cada vez maior de ferramentas de IA no trabalho significa que mais tarefas serão automatizadas e muitos empregos administrativos aparentemente estão prestes a sofrer o impacto. Resta saber como os trabalhadores planejam responder à possível ameaça dessas novas tecnologias.

“Qual seria o ponto mais óbvio para os estudantes e trabalhadores se dirigirem quando sentem que seu futuro profissional está em risco?”, pergunta Monica Gamez-Djokic , que concluiu um pós-doutorado na Kellogg e agora está na Universidade Purdue. Gamez-Djokic, juntamente com Maryam Kouchaki e Adam Waytz , ambos professores de gestão e organizações na Kellogg, se propuseram a responder a essa pergunta em diversos estudos.

Mais especificamente, os pesquisadores buscaram explorar as habilidades e oportunidades de emprego que as pessoas podem priorizar em um mundo mais automatizado. Eles descobriram que, quando as pessoas acreditam que a automação e a IA são ameaças, elas mudam taticamente sua estratégia para priorizar a criatividade na carreira.

Esse efeito foi consistente em diversos cenários relacionados ao trabalho.

“As pessoas enfatizam habilidades criativas nas fichas para preenchimento de vagas de emprego, optam por treinamentos ou cursos mais criativos e também parecem preferir empregadores com uma cultura criativa em vez de uma cultura analítica”, afirma Gamez-Djokic. “Essas tecnologias mudam a forma como as pessoas tentam demonstrar seu valor no trabalho”.

“A criatividade é realmente aquele ponto ideal”, acrescenta Kouchaki. “As pessoas acreditam que a criatividade será útil em um mundo de automação e IA, e que é mais difícil de ser substituída por essas tecnologias”.

Aposta na criatividade

Os pesquisadores começaram explorando a forma como as pessoas acreditavam que a presença cada vez maior da automação, da robótica e da IA afetaria as habilidades relacionadas ao trabalho. Eles analisaram habilidades técnicas (como análise de dados e programação), habilidades sociais (como negociação e comunicação) e habilidades criativas que enfatizam a criação de ideias novas e úteis (como inovação e imaginação).

Em um estudo piloto com 194 participantes, a maioria acreditava que a automação muito provavelmente substituirá as habilidades técnicas básicas mais do que habilidades criativas e que a automação aumentaria a importância de tarefas que exigem habilidades criativas.

Além disso, os pesquisadores investigaram como as pessoas podem reagir às ameaças aos seus empregos representadas pelas novas tecnologias.

Em um estudo, 295 participantes tiveram que imaginar a si mesmos como recém-formados na faculdade e leram informações sobre tendências do mercado de trabalho. Metade do grupo leu sobre a competição com imigrantes e trabalhadores estrangeiros por empregos, e a outra metade leu sobre a competição com inteligência artificial e automação. Em seguida, cada grupo teve que escolher três habilidades de uma lista de 12 a ser destacada em uma carta de apresentação. Os participantes que leram sobre a ameaça da automação priorizaram habilidades criativas mais do que os que leram sobre a ameaça da mão de obra estrangeira.

Um estudo subsequente confirmou que pessoas expostas a informações sobre automação tendiam a destacar habilidades mais criativas, mesmo quando não tinham uma lista predefinida de habilidades como referência.

Os pesquisadores também queriam ver como as pessoas podem adaptar suas habilidades a um mundo mais automatizado. Em dois experimentos, eles descobriram que universitários das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, na sigla em inglês) e designers gráficos — ambos os grupos que leram sobre a possibilidade de terem que competir com IA e automação — estavam mais dispostos a buscar formação adicional em habilidades criativas do que em habilidades técnicas.

“Quando se começa a colocar todas as habilidades juntas e pede às pessoas que escolham entre elas, muitas vezes com tempo ou recursos limitados, elas se concentram na criatividade”, diz Gamez-Djokic. “Essa parece ser a melhor opção”.

Um outro experimento mostrou que as pessoas que leram sobre a ameaça da automação estavam mais propensas a preferir empregadores cujos materiais de recrutamento enfatizavam uma cultura criativa e não analítica.

“Quando as pessoas estão ansiosas com o futuro de seus empregos, elas tendem a buscar ambientes que ofereçam a oportunidade de realizar um trabalho que pareça distintamente humano e, assim, menos substituível por máquinas”, diz Waytz. “Uma empresa que valoriza a criatividade demonstra essa experiência”.

Distintamente humano?

Entretanto, esses estudos foram realizados antes que o público em geral tivessem se tornado muito mais consciente do potencial criativo de modelos de linguagem complexos como o ChatGPT, no final de 2022.

Assim, os pesquisadores realizaram dois experimentos adicionais em 2023 para ver como o aumento da popularidade da IA generativa poderia ter alterado a percepção das pessoas. Eles descobriram que, mesmo após fornecer aos participantes informações adicionais sobre a capacidade da IA generativa de produzir conteúdo criativo, as pessoas ainda preferiam destacar habilidades criativas em seus pedidos de emprego e perfis do LinkedIn.

Embora as conclusões apontem para a importância das habilidades criativas, elas não refletem necessariamente o que de fato acontecerá no ambiente de trabalho; apenas o que as pessoas pensam que acontecerá e como essas crenças podem mudar o comportamento delas.

“Não estamos afirmando que a criatividade esteja objetivamente à prova de automação e que ela ajude a pessoa a manter o emprego”, diz Gamez-Djokic.

Segundo os autores, as pessoas podem priorizar a criatividade de forma consistente por acreditarem que se trata de uma característica exclusivamente humana, que não pode ser replicada de forma satisfatória pela IA. E, dada a incerteza sobre o significado da automação para o futuro do trabalho, as pessoas podem sentir que a criatividade lhes dará a vantagem necessária para se adaptarem a quaisquer mudanças futuras.

“Não se trata tanto de achar que se é mais criativo por competir com uma máquina, mas sim sobre o posicionamento estratégico no mercado de trabalho”, afirma Gamez-Djokic.

As conclusões têm consequências na educação e também para os empregadores, uma vez que as necessidades e exigências de estudantes e trabalhadores em um mundo cada vez mais automatizado dará mais prioridade na criatividade.

“Escolas, universidades e empresas provavelmente irão querer investir não apenas em treinamento técnico, mas também em maneiras de desenvolver habilidades criativas, como resolução de problemas, geração de ideias e pensamento interdisciplinar”, diz Gamez-Djokic. “Caso contrário, corre-se o risco de haver uma discrepância entre o que as pessoas ficarão motivadas para criar e o que as instituições realmente oferecem”.

Featured Faculty

Morris and Alice Kaplan Professor of Ethics & Decision in Management; Professor of Management and Organizations; Professor of Psychology, Weinberg College of Arts & Sciences (Courtesy)

Professor of Management and Organizations; Management and Organizations Department Chair

About the Writer

Katherine Hobson is a freelance writer in Brooklyn, New York.

About the Research

Gamez-Djokic, Monica, Adam Waytz, and Maryam Kouchaki. 2025. “Automation and AI Threats Increase the Value People Place on Creativity.” Personality and Social Psychology Bulletin.

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